Devaneios no domingo a tarde

Domingo, assistindo a um pedacinho do Domingão do Faustão, em que a dupla Chitãozinho e Xororó lançavam um novo CD (creio eu que foi isso), ouvi uma das célebres frases do, talvez, apresentador mais famoso do Brasil:

- Vamos brincar de ser feliz, aproveita que é Copa!

E aí seguiu a música, que já não me lembro qual é. Fiquei com essa ideia na cabeça “aproveita que é copa para brincar de ser feliz”.

Meu propósito aqui não é falar mal do apresentador, bem menos do Chitão e do Xororó, nem da Copa, nem do Neymar, nem do Zúñiga, nem de ninguém, ou talvez de mim e de você.

A fala do Faustão me fez pensar na nossa facilidade para fugir da realidade e encarar um mundo paralelo, seja ele na copa, na novela, na vida... Seja consciente ou inconscientemente. É claro que não dá para ver tragédia o tempo todo, até porque a realidade não é feita só de tragédias. Mas o nosso cérebro possui um mecanismo que foge de situações que, de alguma forma, causam desconforto ao nosso coração. E é disso que eu quero falar.

Óbvio que eu não tenho o mínimo conhecimento teórico para debater sobre as artimanhas do cérebro, malemá entendo das artimanhas das palavras, mas já li um dia que diante de uma situação que nos causa um trauma, o cérebro “trava” e “apaga” aquele fato de nossa memória. Você com certeza já ouviu alguém que se envolveu em um acidente dizendo que não se lembra bem do que aconteceu no exato instante do acidente. Eu, quando tinha cinco anos, perdi meu bisavô (o dono do quintal com o pé de pitanga do primeiro post deste blog), a história que minha mãe conta é bem diferente da que eu, claramente, me lembro. É mais ou menos disso que eu estou falando.

No primeiro filme da trilogia Matrix, depois que o personagem Neo luta com Morpheus, ele retorna para o que seria o mundo real e percebe que de fato está machucado por conta da luta. Perguntando o porquê de os machucados serem verdadeiros, já que a luta aconteceu no que seria o mundo virtual, Neo recebe a seguinte resposta:

- A mente torna real.


Certamente, o cérebro é o órgão mais curioso que temos, não desvalorizando os outros, claro (Fígado, te amo!). O poder de transformar em real, ou o que imaginamos ser real, aquilo que é projetado no mais íntimo dos pensamentos, é fantasticamente fantástico, ou não. Não, quando aquilo que é projetado não é tão legal assim ou quando o sr. Cérebro decide sobressair-se e achar que manda na parada, aí vêm aquelas coisas de loucura, que me preocupam desde já.
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