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{post-pílula} Companhia



Flores de cemitério
têm uma função nobre.

Não precisam enfeitar,
apenas fazer companhia.


Raul Marques, em Depois do Silêncio

{Post-pílula} Paixão


Quero a paciência do pescador,
a humildade do gari,
o profissionalismo do palhaço,
obrigado a desenvolver a sua função
independente de carregar lágrimas ou ira.

Quero, antes de tudo,
a paixão dos suicidas.


Raul Marques, em seu livro Depois do silêncio.

{post-pílula} O poema


O poema
essa estranha máscara
mais verdadeira do que a própria face...


Mário Quintana

{Post-pílula} Só



- Onde estão os homens? - tornou a perguntar o principezinho. - A gente se sente um pouco sozinho no deserto.
- Entre os homens a gente também se sente só - disse a serpente.



Trecho do livro "O Pequeno Príncipe", de Antonie de Saint-Exupéry
Imagem:

{post-pílula} Toada do amor


E o amor sempre nessa toada:
briga perdoa perdoa briga.
Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.



Trecho do poema Toada do amor, de Carlos Drummond de Andrade

{52x5} Semana 24: Casais preferidos

Na 24º semana do Projeto 52x5, falaremos sobre os meus casai preferidos da ficção. Pode ser livro, filme, novela.. preparado? Então, bora lá!

1) Capitu e Bentinho, do livro Dom Casmurro


2) Amelie e Nino, do filme O fabuloso destino de Amelie Poulain



3) Petruquio e Catarina, da novela O Cravo e a Rosa


4) Tony e Ziva, do seriado N.C.I.S.


5) Fiona e Shrek, do filme Shrek



E você, quais são os seus casais preferidos? Os outros posts do Projeto estão aqui.

Desafio criativo: 30 dias 30 narrativas #1


Se tem uma coisa nessa vida que eu nunca fui boa foi em escrever narrativas. Me lembro que na oitava série (nem é mais assim que se chama) eu precisava escrever uma história para um trabalho final de Língua Portuguesa. Eu, no auge da minha sabedoria de adolescente, decidi que reescreveria, mudando algumas pequenas partes (na verdade quase nada), a história de João de Santo Cristo, afinal a minha professora jamais teria ouvido àquela música tão bacana e tão jovem. Bom, sorte minha que fui uma boa garota durante o ano todo.

Outra história: quando estava fazendo cursinho pré-vestibular, frequentava as aulas de redação no período oposto ao das aulas. Não conhecia muito bem a professora, nem ela a mim, mas ela já tinha percebido que eu manjava dos paranauê da dissertação. Foi então que ela pediu que escrevêssemos uma narrativa. No momento da entrega do texto corrigido:
- Beatriz?
- Eu.
- Você?!
- É.

Mas por que dizes isto jovem menina que não sabe escrever narrativas?

Para dizer-te que a partir de hoje estou me desafiando a escrever uma narrativa por dia durante trinta dias e torná-las públicas por aqui! (Eu devo saber o buraco onde estou me metendo).

Já vi outras pessoas fazerem desafios criativos, como a Zilah do blog Das Coisinhas (já falamos dela aqui) que confeccionou 30 produtos, um por dia, durante um mês. Parte do dinheiro da venda dos trabalhos foi revertida para uma ação social. Foi super legal, eu acompanhei durante todo o mês. O meu desafio é mais humilde, mas é um começo e seu objetivo principal é tirar de mim esta história de que não sei escrever histórias. Ou quase isso.

A partir de hoje, teremos uma narrativa (grande ou pequena, boa ou ruim, do jeito que for) aqui no blog, seja dia de post ou não, durante 30 dias. Talvez saia de madrugada, mas vai sair. E, por favor, não exija de mim, nem crie expectativas. Estamos combinados, cara pálida? Então, lá vai a primeira:



Desafio Criativo - 30 dias 30 narrativas
Dia #1

Como era de rotina, entrou, verificou as correspondências e ligou o wi-fi do celular, enquanto acariciava o gato, sentada na poltrona de retalhos (a sua preferida, e não só por ser a única da casa). Recostou-se um pouco, pode ver que a louça ainda estava na pia, afinal quem poderia ter lavado-a, mas... quem sabe um milagre. Outro carinho no gato e um pensamento "não quero nunca mais levantar daqui".

As pernas doíam um tanto, suspendeu-as no banquinho, tirou o sapato e soltou o cabelo. Ah, os pequenos prazeres da vida. A sensação de desfazer-se de um sapato usado a horas.

Permitiu-se dez minutos de descanso e foi até a cozinha. A noite estava chuvosa e Ana não estava com energias suficientes para cozinhar e lavar louça. Teria que escolher entre uma das tarefas. Olhou para o encarte da pizzaria grudado com um ímã na geladeira e pensou "um dia a mais, um dia a menos", mas aí lembrou-se de que o pagamento era só na próxima semana, "talvez eu faça jejum".

Colocou Cássia Eller para tocar e foi para o banho. De volta ao quarto, lembrou que tinha roupa para passar e as calcinhas limpas já estavam quase no fim, "ai, ai...". 

Reconsiderou sobre a pizza. Talvez se arrumasse mais um emprego, talvez a noite de garçonete... Chacoalhou a cabeça em um gesto negativo como se conversasse com alguém. Na busca pela geladeira, encontrou ovos, queijo, carne e arroz requentado. Dava para o gasto e para a fome. 

Depois da comida, voltou para a poltrona que fora comprada em uma loja de usados, mas bastou uma colcha de retalhos (que ela ganhara da vó ainda na adolescência) para que ficasse aconchegante. Sentou, recostou-se, pegou o controle da tv, o interfone tocou. "Vou esperar, se não insistirem, nem levanto daqui", tocou de novo, talvez fosse algo importante. Ana decidiu atender.

- Oi, é da casa da Maria?
- Não, só da Ana. 

Desligou o interfone e decidiu ir direto para a cama, já era muito por um só dia.

{Post-pílula} Vida



Vida
essa coisa
que te joga
do macarrão
à bolonhesa
pro miojo de
galinha caipira
em questão
de segundos.

Fabrício Garcia


{Post-pílula} Poeta



O povo rude de Cartéia não podia entender esta vida de exceção, porque não percebia que a inteligência do poeta precisa de viver num mundo mais amplo do que esse a que a sociedade traçou tão mesquinhos limites.


Alexandre Herculano em Euríco, o Prebítero

{Post-pílula} O come e não engorda



Ninguém é mais admirado ou invejado do que o come e não engorda. Você o conhece. É o que come o dobro do que nós comemos e não tem a metade da circunferência e ainda se queixa:
- Não adianta. Não consigo engordar.
O come e não engorda é meu ídolo. Só não lhe peço um autógrafo por inibição. Meu sonho é emagrecer e depois nunca mais engordar, por mais que eu tente. Quando eu diminuir, quero ser um come e não engorda.


Trecho da crônica "O come e não engorda" de Luis Fernando Veríssimo.

{Post-pílula} História de amor



Esta é uma história de amor, embora algum leitor possa protestar que instintos menos nobres a dominem. Envolve uma mulher, um homem e um sentimento entre os dois. Se não quiserem chamá-lo de Amor, tanto faz. Uma rosa com outro nome teria o mesmo aroma etc, etc.


Texto: trecho da crônica Com champignon, de Luis Fernando Veríssimo

{Post-pílula} Velhos hábitos



Um dos meus velhos hábitos é ir, no tempo das câmaras, passar horas nas galerias. Quando não há câmaras, vou à municipal ou intendência, ao júri, onde quer que eu possa fartar meu amor dos negócios públicos, e mais particularmente da eloquência humana. [...] Já se me têm oferecido bons empregos, largamente retribuídos, com a condição de não frequentar as galerias das câmaras. Tenho-os recusado todos; nem por isso ando mais magro.


Machado de Assis em crônica publicada em 27/11/1892.
Foto: Chris Bonfatti (em Tanakuka)

{Post-pílula} O amor no século XX


Depois da fome, o amor. O amor deixará de ser esta coisa corrupta e supersticiosa; reduzido à função pública e obrigatória, ficará com todas as vantagens, sem nenhum dos ônus.



Machado de Assis, em crônica publicada em 6 de janeiro de 1895, falando sobre os anseios para o próximo século.

{Post-pílula} Vertigens e estrelas



- Boa noite - disse ele, inclinando-se e me dando um beijo curto na boa. Seus lábios se demoraram sobre os meus o tempo exato de conferir ao momento um caráter sagrado. Ato contínuo, ele se afastou, deixando minha cabeça cheia de vertigens e estrelas.





Texto: Marian Keyes, em Férias
Foto: Alejandro Tuzzi

{Post-pílula} Mais amor por favor




A gente sempre se amando

A gente sempre se amando
nem vê o tempo passar.
O amor vai nos ensinando
que é sempre tempo de amar.


Texto: Carlos Drummond de Andrade

{52x5} Semana 4: Citações preferidas

Era para este post ser de ontem, eu sei, mas agora ele é de hoje. Quando a vida chama, tem ir, não dá para esperar. Bom, a lição de casa de hoje/ontem do Projeto 52x5 era reunir as minhas cinco citações preferidas (trechos de livros, de músicas, frases de autores etc). Por um lado, tarefa árdua para uma pessoa das Letras. Por outro, não demorei nem cinco minutos. Mas poderia ser 52 citações em 5 semanas.



Minhas citações preferidas...

1. Cominciate col fare il necessario, poi ciò, che è possibile e all'improvviso si sorprenderete a fare l'impossibile. (San Francesco d'Assisi)

{Em uma tradução livre: Comece fazendo o necessário, depois, o que é possível e quando menos esperar você se surpreenderá fazendo o impossível.}


2. 
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas." 
(Olavo Bilac, em Ouvir Estrelas)


3. Para partilhar a sua parte do segredo do céu: que cada vida afeta a outra e a outra afeta a seguinte, e que o mundo está cheio de histórias, mas todas as histórias são uma só. (Mitch Albom, em As cinco pessoas que você encontra no céu)


4. 
Poeminha do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Mario Quintana)


5. Este último capítulo é todo de negativas. [...] ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas. Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. (Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Ps.1: Queria ter transcrita toda a histórias de Brás Cubas...
Ps.2: Para ver os outros posts do Projeto 52x5, clica aquê!

{foto: Michal Jarmoluk}

{Post-pílula} Lembrete



Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.



Texto: Poema "Lembrete", de Carlos Drummond de Andrade
Foto: GLady

{post-pílula} Ouvir Estrelas


Eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Texto: Olavo Bilac, 1888
Foto: Nicole Köhler

{post-pílula} Nada menos



Marcela amou-me durante quinze contos de réis; nada menos.




Texto: Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas

Manifesto

Fiz este manifesto pela busca por dias mais artísticos e menos ortográficos.
Por mais presente e menos pretéritos imperfeitos; e presentes conjugados no plural.
Dias inteiros de memórias boas, de toque amável, amor inesgotável, riso solto, alma lavada, noites acordadas. Dias de sol e chuva.
Por mais complementos e menos termos acessórios para que a vida seja toda semântica e pouco, ou nada, sintática.
Trago o desejo de dias artísticos. Dias em que o trabalho seja guiado por mente e coração, e não, pelo relógio de ponto.
Grita em mim a vontade de uma rotina florida, de temperatura ambiente e alegria latente.
Por mais cores, amores e sabores! Desculpem-me o clichê e a rima pobre, mas é que preciso das cores, dos amores e dos sabores; ah, os sabores...
O sabor da primavera e do inverno, do destino a caminho, da segunda-feira doce (e jamais amarga), do despertar, do cochilar, do caminhar. O sabor dos sabores.
Por uma vida desenhada pela elegância de Michelangelo, a delicadeza de Monet, a astúcia de Da Vinci, o agito de Picasso, a ousadia de Tarsila, a força de Frida.
Um manifesto por dias mais artísticos e menos ortográficos.
Alegria, amor e significado.