Desafio criativo: 30 dias 30 narrativas #6

Dia #6

Pedro ia completar 10 anos, ele esperava ansiosamente pela data. Você, adulto, pode até se perguntar o porquê, mas um garoto de nove saberia responder sem pestanejar: com dez anos já pode andar no banco da frente.

Chegou o dia, Pedro fez aniversário. Como era já costume, uma festinha em casa para os amigos da escola e os primos. Bexiga, bolo, cachorro quente e brigadeiro. Ô delícia que é festa de criança!

Naquele mesmo dia,  o aniversariante não andou de carro, não foi preciso a festa foi em casa mesmo. Ele teria que aguardar até a segunda-feira quando seu pai lhe levaria para a escola. Eles sempre iam sozinhos, então, sua mãe não estaria e ele poderia andar no banco da frente.

A segunda chegou, não demorou mais que um domingo, menos para a ansiedade de Pedro. Ele ficou pronto logo e tratou de apressar o pai. Chegou o momento tão esperado por uma década inteira.

Pedro ajeitou-se na poltrona, colocou o cinto (como ele era miúdo, o cinto ficou um pouco pegando no pescoço, mas nada que pudesse atrapalhar aquele momento), respirou fundo e foi como alguém que ganha medalha de ouro. A janela aberta era como a porta da liberdade que ventava no seu cabelo. Na volta da escola, a mesma sensação de strike. 

No começo da noite, já em casa, a mãe do menino lhe perguntou como havia sido o passeio. Ele descreveu todas as sensações, cada uma das esquinas. A mãe ficou feliz pelo filho e lembrou com saudade dos seus 10 anos. Depois de alguns minutos de silêncio, Pedro perguntou de supetão:

- Mãe, quantos anos eu tenho que ter para poder dirigir o carro do pai?
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