A buzina e a inversão de valores

Sempre que vejo um absurdo no mundo lembro-me daquela música "o mundo está ao contrário e ninguém reparou". 


Pois é, para mim, a buzina é uma prova da inversão de valores desta sociedade que habitamos. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, a buzina deve ser acionada  para fazer as advertências necessárias a fim de evitar acidentes. Em outras palavras, é para ajudar o outro, alertar de um perigo iminente.

Agora, pensa comigo, das várias buzinadas que você ouve no trânsito todo santo dia, quantas, me diga quantas, são para afastar um perigo? Na maioria, é para conseguir que o xingamento chegue aos ouvidos dos outro condutor, coisa que a voz não faria. Ou então, para que o outro olhe para você e, aí então, você possa xingá-lo.

Claro que o trânsito está horrível, insuportável. Mas é aquela velha história, é feito por cada um de nós, e a mudança tem que acontecer em cada um de nós; sem novidades, galera. Se cada um dirigisse do jeito que diz que dirige, era para tudo estar bem melhor, né não.

Voltando à relação entre os valore e a buzina, não esqueci de que coloquei os dois no mesmo balaio. O sinal sonoro que tanto me assusta no trânsito (toda vez que ouço uma buzinada é um gelo no estômago, mesmo que ela não seja para mim) foi feito para ser bom e, no entanto, hoje em dia não tem nada de bom. O mal anda predominando, e todo mundo acreditando que assim está certo. 

Vamos lá, pelo básico: Natal é só presente, sexta-feira santa virou feriado prolongado para ir à praia, Páscoa é chocolate, buzina é xingamento. E por aí vai. Policial morre por bandido e é tudo normal. Bandido que morre é trabalhador. Aluno quebra a escola e está tudo bem. As crianças que decidem como tudo será em casa. Na minha época, quem mandava era mãe e pai; e aí daquele que questionasse. 

Não defendo uma posição unilateral, jamais. Mas defendo que é preciso estabelecer a ordem. Sem ela, jamais chegaremos ao progresso.
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