Desafio criativo: 30 dias 30 narrativas #12

Dia #12


Marina acabara de chegar na nova cidade, buscando uma nova vida, e tudo que precisava era de um lugar para dormir e um emprego, mas este último só pela manhã seguinte. Encontrou o endereço da quitinete mobiliada que já estava alugada para ela, o lugar era bom, pequeno, mas o tamanho bastava.

Marina era professora, por isso, suspeitava que seria um pouco difícil conseguir um trabalho, porque as aulas já haviam começado, certamente as vagas já estariam preenchidas. Mesmo assim, bateu na primeira porta.

- Bom dia! Sou Marina, gostaria de entregar o meu currículo, sou professora e cheguei na cidade ontem.
- Bom dia. Você pode deixar o currículo comigo, eu encaminho para a coordenação da escola.

Bem, na primeira tentativa, a receptividade não foi das mais calorosas, mas pelo menos o "bom dia" de volta Marina recebeu. Essa era uma prática que ela detestava com todas as forças: entregar currículo, procurar emprego, expor-se. Mas foi necessário, depois de tudo o que aconteceu, ela precisava mudar de escola, de cidade, de estado, de país, de mundo... Se houvesse lugar em outra galáxia, Marina com certeza teria embarcado para lá sem pretensão de volta.

Alguns currículos entregados depois, Marina descansava em casa. Com a janela aberta, sentindo o vento que afastava o calor, começou a lembrar de como havia sido a sua vida vivendo na mesma cidade por toda a vida e, a partir daí, passou a cogitar hipóteses das novidades que o endereço novo poderia lhe trazer, talvez amigos, trabalho, rotinas diferentes, ir trabalhar de bicicleta, quem sabe um novo amor... Esta palavra arrepiou até o último cabelo do neurônio mais distraído de Marina, um novo amor não. 

- Nada de amores! Gritou ela, como que ameaçando o cupido. 

Mais um tempo se passou e, a esta altura, Marina já cumprimentava dois vizinhos, a da frente e o debaixo. Neste entremeio, conseguiu também um trabalho. Uma das escolas chamou-a para substituir uma professora. Já era uma grana a mais, ela ainda tinha alguma reserva, mas o trabalho era um prazer, ocupava a mente e cansava o corpo.

O caso é que, com o passar dos meses, como já era de se esperar, o coração começou a dar uma trégua, o senhor cupido deixou de receber ameaças e, claro, acabou criando confiança. Lembra-se do vizinho debaixo? Pois bem. Agora já existiam algumas conversas no corredor e gentilezas, como carregar as sacolas do supermercado enquanto subiam as escadas conversando. Paulo, o vizinho, era uma homem simpático, tinha um filho já moço que estudava fora do país e nunca tinha sido casado.

Das conversas no corredor, passaram a passeios ao cinema, jantares, caminhadas... Os passos eram lentos e prazerosos, ninguém era forçado a nada, apenas as vontades apareciam e eles se permitiam. É claro que tempos depois virou um namoro dos bons e Marina já nem se lembrava mais do que havia lhe trazido para aquela cidade, já estava habituada ao clima quente, a nova escola, ao apartamento pequeno, ao cheiro dele...

Assim eles passaram bastante tempo, morando em dois andares. Até que um dia, Paulo resolveu que já era hora de chamar Marina de esposa. Ele pediu, ela aceitou. E a última notícia que tive dos dois é que estavam em lua de mel, pela oitava vez.
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