Desafio criativo: 30 dias 30 narrativas #14

Dia #14

Hoje fui ao médico. Não é uma experiência prazerosa, mas também não adio como se fosse um sofrimento sem fim. Já aprendi que a medicina preventiva é (muito) mais eficaz do que a curativa. (O SUS poderia aprender isso também). 

Por mais artifícios que as clínicas arranjem (tv, revista, brinquedos, café, lanchonete, animadoras de torcida...) é sempre um tédio ficar por uma eternidade sentada na recepção olhando para a cara (na maioria das vezes) mal humorada da recepcionista.

O que será que os médicos tanto fazem lá dentro que nunca, nunca mais, atendem?! E quando atendem, geralmente a consulta é express (pra logo poderem voltar a fazer seja lá o quê). Nem sei porque colocam cadeiras dentro dos consultórios, deve ser por uma questão estética. Ou então, eles, os médicos, precisam delas para executarem suas tarefas secretas).

Voltando para a sala de espera, depois de ler todas as revistas (velhas) disponíveis e desistir de assistir à televisão, ou porque o programa é chato ou porque o volume está tão baixo que é impossível ouvir, você começa a reparar nos tipos humanos daquele lugar. (Ao menos eu faço isso, e não é só no consultório médico, confesso).

Tem sempre alguém parecido com alguém que você conhece (ou talvez seja só o seu cérebro tentando arrumar uma distração). Tem sempre alguém cochilando (às vezes, eu sou desse grupo), alguma criança entediadíssima/largada na cadeira/sofá/colo da mãe. 

Tem sempre aquele que fala pelos cotovelos (desse eu sempre tento sentar longe), tem alguém alguém no celular (mas esse tem em todo lugar, é tipo tiririca), alguém lendo e alguém que encontra outro alguém. (Nessa hora a gente sempre reza para que esse encontro não seja com o tagarela da vez).

Tem aqueles que vão preparados. Geralmente eles são estudantes com livros ou senhoras com crochê. Tem também aquele perdido, não importa quantas placas existam, ele nunca encontrará o banheiro. Aí a recepcionista, que já estava mal humorada, tem que levantar e mostrar para a criatura.

Poderia listar por linhas e mais linhas os tipos que encontramos nos consultórios por aí, mas o médico me chamou e, claro, a consulta foi express. Antes que você me pergunte, já respondi. Farei exames, claro de novo. E voltarei lá com os resultados, claro mais uma vez. Pra terminar, só me sinto na obrigação de listar mais um tipo: o da recepcionista que te chama de "flor".

Não há nada que a sala de espera do médico não possa fazer por você e pelos seus pensamentos.
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