Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens

Por favor, seja gentil

{para ler ouvindo o Lenine cantar, clique aqui}


Eu lhe avisei que não queria novos términos. Ou você entrava para ficar ou era melhor que desse meia volta. Você ficou. E mesmo assim, depois, resolveu partir. Ficou o tempo suficiente de formar saudade.


Não me importa os seus motivos. Pensando bem, a gente não ia dar certo mesmo. Mas eu avisei.

Não farei de você um término comum. Não farei de você uma dor. Por isso, de vez em quando, você terá que me aturar falando sobre assuntos aleatórios. E, por favor, seja gentil.

Não estou preparada para perder mais alguém. Mesmo que você mude de lugar, eu disse que seria pra sempre. Então, fique por perto, junto com as lembranças boas.

Sê inteiro


Ninguém é de ninguém. Eu sou só minha e caminho por um caminho que escolhi. Vivo uma vida preparada por mim a caminho daquele lugar que imaginei ser o meu.

Desisti de muito. Parece fraqueza, mas, às vezes, desistir é mais difícil do que persistir. Deixei para trás aquilo que racionalmente não me fazia bem. Mas que emocionalmente, era tudo o que eu precisava.

Ou quase tudo. Antes, eu precisava ser eu. Precisava ser minha. Ser inteira. 

E para me encontrar de verdade, eu precisei partir. Ir para longe, levando comigo aquilo que restou de minha alma, deixando para trás aquilo que me roubou de mim.

Eu não me mereço pela metade. Ninguém merece alguém pela metade. Ninguém é feliz assim, nem eu nem você. Por isso eu fui, talvez a vida me traga de volta, ou não. Até lá, viva a sua vida, vá se encontrar e ser inteiro também.

Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar, rir pra não chorar (Preciso me encontrar, Cartola)

Especial e específico

Cada pessoa ocupa um lugar especial e específico em nossa vida. É bem clichê, eu sei. Mas é bem isso também.

Essa é daquelas verdades que você ouve a vida toda, mas só toma consciência dela quando um start vem. Por um motivo ou outro, ele vem. É tipo um sentimento: aahh, é bem assim mesmo.

Por mais que você tenha irmãos e mantenha com eles uma boa relação, eles não substituirão um amigo, aquele que vem de outro berço e preenche um espaço no seu coração. Da mesma forma que a companhia de um amigo não substitui a companhia de um amor. Entende?

Não que um seja melhor do que o outro ou que seja mais necessário, mas é assim. Por exemplo, minha avó morreu há um pouco mais de um ano. Ela era a criatura mais "fora da lei" que eu conheci. Não tinha cara de vó, não se vestia como vó, fez faculdade (qual vó você conhece que fez faculdade?) e, definitivamente, não sabia cozinhar. Sabe aquela coisa, comida de vó? Então, eu não sei. Enfim, apesar de ser desse jeito só dela, ela se foi e deixou uma saudade que nenhum outro preencherá. Estando ou não nos parâmetros de vó.

Essa teoria serve também para pessoas dentro de uma mesma classificação: esse amigo não tampa o buraco daquele outro amigo; esse irmão não tampa o buraco daquele outro.

Da mesma forma que você, sim você mesmo, preenche um lugar importante dentro de si. Tem coisas que eu só consigo comigo, tem coisas que só eu posso fazer por mim. E tem horas que só a minha companhia pode fazer bem pra mim.

Talvez você esteja pensando que este texto é o mais der que este blog já publicou, talvez eu até concorde com você, mas ele é importante para dizer que você é único na vida de alguém, do mesmo jeito que alguém é único na sua vida e que você cumpre um papel importantíssimo na sua vida. É a lei. É dessa forma. E eu precisava te contar isso. Sinta-se importante e dê a devida importância para todos aqueles que estão perto de você.


Tristeza, por favor, não vá embora.



Eu tenho a impressão de que vivemos em uma época em que todo mundo é obrigado a ser feliz. Isso mesmo, felicidade tornou-se uma obrigação como andar com cinto de segurança ou escovar os dentes antes de dormir. Se você não está feliz, algo de muito terrível está acontecendo com você e, você, precisa mudar isso imediatamente.

Acalme-se, esse não é um texto de apologia à tristeza, tampouco melancólico como os poetas byronianos. Ele é só a expressão de um pensamento.

Todos nós, humanos, fabricados assim desse jeito, temos uma série de sentimentos que se abrigam em nosso ser. Eles estão lá quietinhos, mas vivem em nós. Um deles é a alegria. Outro, a tristeza. Ora um aparece, ora outro. É naturalmente natural.

Não sei se esse é um fato recente de verdade, mas percebo que as pessoas perderam o direito de ficar triste com algo ruim que lhes aconteceu. Por exemplo, se eu perdi um dinheiro na rua, natural que eu fique triste (e que o outro que encontrou o dinheiro fique alegre). Mas tenho a impressão de que esse direito me foi cortado. Cortado às custas de que necessito postar uma foto feliz, com pessoas felizes, em um lugar feliz, fazendo coisas felizes e, de preferência, comendo algo bem feliz também.

Peraí, cara pálida! Quem foi que disse que, por um determinado momento, eu não posso me sentir triste porque me aconteceu algo triste?! Me parece tão óbvio. Mas todos vêem a tristeza como algo ruim e não como algo necessário. Claro que não dá para pegar na mão dela e trazer para morar debaixo do mesmo teto, mas viver um momento de luto diante de algo que lhe incomoda é natural e saudável. É nesse período (que não deve ser prolongado mais do que ele mereça) que refletimos, digerimos tudo o que aconteceu, percebendo erros e acertos. Aquilo que fica e aquilo que sai.

Querer sentir a dor não é uma loucura, fugir da dor é fugir da própria cura.

Se você estiver se sentindo triste hoje, não se sinta culpado por isso. Sinta-se normal. E sinta a sua tristeza, pode desfrutá-la como você se desfrutaria de uma porção de batata frita. Perceba a riqueza que é encontrar-se nesse momento de reflexão. Só não se prenda a isso como a única alternativa para a sua vida. Lembre-se, ora um ora outro.

Tristeza, por favor vá embora. A minha alma que chora, está vendo o meu fim.Fez do meu coração a sua moradia, já é demais o meu penar.
Quero voltar aquela vida de alegria, quero de novo cantar

30 dias

Sabe aquela expressão "fiquei sem chão"? Eu a experimentei 30 dias atrás. De repente, tudo que era certeza acabou, foi tomado de minhas mãos e só sobrou o incerto, a dor e o vazio. O vazio mais dolorido que eu já havia sentido na minha vida. Uma dor que não sei descrever. Era como se o mundo tivesse parado e a vida fosse acabar. Então, eu chorei. Chorei como uma criança que arranca o tampo do dedão no asfalto enquanto brincava de bola. Chorei porque a alegria da brincadeira foi-se, su-bi-ta-men-te, junto com o pedaço do meu dedo. Era um choro desesperado, um choro de alguém que só queria voltar a brincar. Não precisava nem cicatrizar, era só me deixar entrar para jogar de novo.

Surpreendentemente, trinta dias já se passaram. Foi uma surpresa para mim, porque a única certeza que eu tinha naquela tarde é que o mundo acabara e eu morreria naquele instante e toda aquela dor seria eterna. Um dia após o outro se passou. Eu continuei chorando como uma criança desesperada. A dor dolorida ainda doía, e dói. 

Foram tantas ideias e pensamentos e lembranças, tudo misturado pela saudade. Aliás, não choro mais pelo machucado do dedão, choro pela saudade que me atropela a cada instante do dia. Ontem sonhei com você, sonhei com a gente. Fiquei triste quando acordei. Queria que a vida fosse um sonho e que eu estivesse prestes a acordar. Incrível como convencer-se a si mesmo é muito mais difícil do que convencer a outro. Incrível como as coisas mudam sem que possamos fazer algo. Incrível como é difícil adaptar-se ao novo. 

Nós humanos somos seres altamente sociais. Somos os únicos animais a se organizarem socialmente dessa forma que fazemos. Ficamos dependentes uns dos outros, mesmo quando acreditamos que somos completamente independentes, de alguém ainda precisamos, nem que seja do padeiro pra fazer o pão ou do eletricista para ligar a luz. Acho que é por isso que a separação é tão difícil, seja ela pela morte ou pela vida. 

Nós humanos somos os únicos mamíferos que permanecem tomando leite mesmo depois da vida adulta. Percebe como somos eternos filhotes? Ficar sozinho só é bom quando se tem a quem voltar.

Hoje chove, amanheceu chovendo. Há trinta dias há uma tempestade na minha vida, não sei se ela passará ou se simplesmente me acostumarei com os dias nublados.




*****
O post de hoje inaugura uma nova "categoria" de posts aqui no blog: crônicas! A ideia é postar uma por semana, vejamos como vou me comportar. E você poderia me dar a sua opinião? O que você achou? Pode ser uma ideia de tema também!
Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger